terça-feira, junho 17

Domingos

Eu acordei com a luz do sol esquentando meu corpo. O lençol azul da minha cama de casal tinha soltado de um dos lados. O lado vazio que era preenchido algumas noites.
Levantei e ajeitei minha calça, fui até a janela e fechei a cortina quebra-luz. Me virei mas antes de voltar pra cama, decidi olhar a paisagem da minha janela. Dela eu podia ver todo dia uma grande praia, de areia branca e palmeiras de folhas verdes e viçosas. Isso um dia já me alegrara muito. Mas ultimamente era indiferente a tudo aquilo.
A noite passada tinha sido agitada, cheguei em casa ás quatro da manhã, bêbado e cansado, e ao entrar no meu apartamento só consegui correr pro banheiro, vomitar tudo aquilo, tirar a camisa e jogar no cesto de roupa suja e me jogar na cama.
Hoje era vez da ressaca. Ela fazia minha cabeça latejar, eu já devia estar acostumado com tudo isso, era sempre assim. Era como naquele ditado: primeiro a tempestade, depois a bonança, mas ao contrário.
Coloquei uma camiseta que estava jogada em cima do sofá do meu quarto e fui pra cozinha. Me sentia vazio e sem sentido.
Fiz um misto-quente e peguei um suco na geladeira. Sentei á mesa, de costas pra janela e observei as outras cadeiras vazias. Tomei meu suco e nem toquei no misto, deixei na mesa mesmo.
Fui até o banheiro e liguei o chuveiro. Tirei minha roupa, entrei e senti aquele jato quente de água na minha cabeça. Eu precisava muito daquilo.
Sentei no chão do box e deixei a água correr por minha pele, lentamente, por incontáveis minutos.
Era domingo e eu nunca gostei de domingos. Pra mim domingos são dias vazios, assim como minha vida, e eu já não aguento isso.
Pois é. Vazio e mais vazio.
Não há nada pra completar, nem cor, nem gente, nem nada.
Ás vezes algumas pessoas tentam preencher esse vazio, mas eu tenho uma incrível habilidade de afastar todo mundo.
Já tive várias mulheres de apenas uma noite, vários amigos de apenas um copo e familiares de apenas um favor.
Pra mim, nada era por completo ou para sempre.
E isso me dava medo, me assustava, me deixava receoso...

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