domingo, maio 18

Aquela dor era intensa. Ardia como quando queimamos nossa pele em uma panela quente ou quando tocamos uma superfície gélida demais.
E a dor não era o único problema. Os pensamentos corriam por sua mente como carros de corrida, e ela não conseguia organizá-los, assim como o resto de sua vida.
Os dias, os momentos, os minutos passavam por sua cabeça como doloridas lembranças criadas para causar dor e sofrimento. E ela já estava cheia. Prestes a transbordar.
Sua agonia crescia, e todo os resto parecia não fazer sentido algum. Seus problemas pareciam não ter fim. Estava prestes a transbordar.
Seu sorriso, mesmo que presente em vários momentos, era falso. Assim como todo o resto em sua volta. As pessoas, os sentimentos, as opiniões, as atitudes. Estava prestes a transbordar.
Ela já não tinha mais chão, ou parede ou teto. Tudo era vazio e escuro e repleto de nada.
E transbordou.
E ela perdeu o controle e se afogou no mar de lágrimas que sua dor tinha formado. E dessa vez não haveria boia que a salvasse.

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